Entenda o que é gravura!

Gravura é a arte resultante de um processo de impressão artesanal, de tiragem em número limitado e assinada pelo autor. Há vários tipos de impressão e diferentes matrizes. Para fazer a matriz o artista trabalha sobre uma superfície de madeira, pedra ou metal, que recebe as tintas e faz as impressões. Completada a tiragem, a matriz não será posteriormente reutilizada, e cada gravura receberá uma marcação geralmente a lápis com o número da cópia e o do total de impressões. Por exemplo: 5/100 é quinta cópia de 100 impressões feitas. A gravura é então, um múltiplo da obra original, assinada uma a uma pelo artista, não podendo ser confundida com um poster, onde a impressão é meramente gráfica e de tiragem ilimitada.

Serigrafia: a matriz é feita em uma tela especial, que é esticada em um bastidor. Sobre a tela são colocadas máscaras com cada cor da obra. As mascaras recebem a tinta, que é espalhada por um rodo, para fixar a imagem no papel.

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Xilogravura: a matriz é uma superfície de madeira, com a obra esculpida pelo artista. Sobre o relevo, aplica-se uma tinta especial, que passa pela pressa com o papel.

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Litogravura: a matriz dessa técnica é uma pedra calcária tratada com solução ácida para desengordurá-la. A imagem é gravada com lápis ou tinta gordurosa. A repulsa entre a tinta e a gordura caracteriza a impressão.

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Metal: desenha-se sobre uma chapa de metal envernizada com uma ponta seca (pincel sem tinta). Então, leva-se a peça para um banho de ácido e aplica-se uma camada de tinta que irá fixar-se apenas onde foi feito o desenho.

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Digital: giclée ou digigrafia que, como o próprio nome diz é a obra do artista elaborada a partir de um arquivo digital e impresso a laser.

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Uma edição de gravuras compreende:
• A tiragem ,definida de comum acordo entre o artista e o editor (Ex. 1/100 a 100/100)
• P.A. (prova de artista) destinada ao artista
• P.I. (prova do impressor) destinada ao impressor
• H.C. (hors comerce) , uma denominação francesa que significa gravuras fora de comércio

História das Molduras: O casamento perfeito com a obra de arte

Em termos gerais a moldura serve como uma proteção externa de determinado trabalho. Sua definição no dicionário é guarnição para painel, retrato e etc. A moldura então, funcionária como um adorno para as obras de arte. Fato é que seja como proteção, seja como adorno, o universo que envolve a moldura é muito mais abrangente e surpreendente do que ponderações em dicionários e conceitos pré-estabelecidos.

A moldura limita mundos, impede-os de se confundirem, cria uma espécie de célula ou cela, abre uma janela, cria um mundo paralelo que vai muito além de sua função tradicional de proteger a obra de arte, delimitar seu espaço arquitetônico ou lhe conferir um ornamento.

Os primeiros indícios de moldura se dão no Antigo Egito. Na ocasião, elas eram usadas para delimitar o espaço da obra, guardá-las do mundo externo.  Suas manifestações artísticas giravam em torno esfera religiosa.

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Akhenaton, Nefertiti e as princesas reais fragmento de relevo de Tell el-Amarna, c 1350 aC, (XVIII Dinastia).

Na Roma antiga a moldura adquiriu uma importância para além de simples delimitadora de espaço. A moldura passa a exercer a função de organizadora de espaço e tem o poder de definir um campo de trabalho.

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Painel com uma representação de um triunfo do imperador Marco Aurélio; um gênio alado paira acima de sua cabeça.

Somente nos séculos XII e XIII as molduras começaram a ser pensadas da forma como as conhecemos. Curiosamente o processo de elaboração de uma obra era feito ao inverso. Primeiro se fazia a moldura, em peça única e muito bem acabada. Em seu interior, o espaço em que o artista preencheria com sua arte. Esta técnica dificultava a produção de obras de grandes proporções uma vez que era quase impossível encontrar tábuas com dimensões tão grandes para serem esculpidas.

Até final do século XIV e inicio do século XV, a maior parte das obras eram feitas por encomenda para a igreja. Tais trabalhos eram de grandes proporções e quase sempre eram peças fixas. Suas molduras compunham um conjunto com a arquitetura do templo onde eram instalados e eram confeccionadas pelo próprio artista.

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LUCA SIGNORELLI (1445 a 1523) – Madona e criança – Óleo sobre madeira

Com o Renascimento houve uma importante mudança no cenário das artes. Agora, nobres ricos passaram a colecionar obras em suas residências. Essa nova demanda também modificou a produção de molduras. A necessidade de armações portáteis e móveis era eminente. Os novos colecionadores necessitavam, por vezes, transportar esses trabalhos.  As molduras passaram a ser cada vez mais elaboradas, tanto no sentido funcional de proteção quanto no sentido estético.

Mas, e o moldureiro? A produção organizada de molduras começou a se efetivar no século XVI. As molduras não eram mais feitas pelo artista. Havia um moldureiro. Um profissional exclusivamente treinado para isso e que passou a ter grande importância nos processos finais de qualquer decoração. No século seguinte, o requinte só aumentava, madeira e gesso eram usados na confecção de molduras. Novos perfis eram criados e a introdução de arabescos dos mais diversos possíveis levou a concepção barroca de molduras que conhecemos. Durante o século XVIII as produções cheias de excesso continuaram e aumentaram, uma decoração opulenta era tudo que um nobre poderia querer o estilo Rococó da aristocracia francesa ganhou destaque.

Aos poucos os excessos e exageros foram perdendo espaço, perfis de molduras mais leves, finos e com influências orientais abriram caminho. Estamos no século XIX, cuja característica principal passou a ser o puro uso da madeira. Os impressionistas do final daquele século colocaram a moldura como uma continuação da pintura.

O século XX presenciou uma infinidade de trabalhos a serem emoldurados. Não apenas pinturas, gravuras, desenhos e fotografias. Novos perfis e novos modelos de molduras foram criados. A forma de montá-los e os materiais utilizados também se modificaram. A moldura passou a ser novamente feita pelo artista. A liberdade irrestrita do final do século XX permitia. Até a exclusão completa das molduras chegou como uma nova onda de produzir trabalhos somente em painéis cujas laterais também recebiam pintura.

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Oficina de moldura em 1900. Anônimo.

E a arte contemporânea? O que se utiliza atualmente? Vivemos em um tempo em que excessos e perfis lisos convivem em harmonia. O antigo e o atual se confundem. As inovações são bem-vindas e vistas com bons olhos.

Com perfil liso ou cheio de arabescos, a moldura atravessa os tempos metamorfoseando-se num diálogo incessante entre o artista e seu trabalho.  Muito além da função de proteger a obra de arte ou delimitar um espaço. Talvez porque a palavra mais importante para a arte contemporânea seja “possibilidades”.

Atualmente a arte de emoldurar quadros é destaque no mercado das artes. No entanto, são poucos os moldureiros profissionais que encontramos e podemos confiar. Há quase meio século no mercado de arte, a molduraria mais conceituada do Rio de Janeiro, tem emoldurado obras de museus e importantes colecionadores do país e do exetrior. Para Everaldo Vieira, fundador da Everaldo Molduras é preciso conversar com a obra, pois cada uma tem sua peculiaridade, seu espaço e seu mundo. A moldura então, abre a janela para este mundo paralelo, o mundo do artista. Ainda de acordo com ele, cada quadro tem sua moldura especifica, aquela que combina perfeitamente com a obra. Ao ser perguntado sobre o papel da moldura na decoração, ele afirma que a moldura não tem que combinar com tapete, sofás e outros móveis. A moldura presisa casar perfeitamente com a obra. É preciso ter um olhar clinico e experiente para entender o que a obra pede. Dessa forma o casamento perfeito ocorrerá.

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Everaldo Vieira em 1964 ainda como aprendiz de moldureiro.

 

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Loja Everaldo Molduras situada no Cassino Atlântico, em Copacabana.